segunda-feira, 16 de novembro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Minhocas trabalhadoras 'limpam' lixo doméstico
O contributo das minhocas na transformação da matéria orgânica em composto que pode ser utilizado como fertilizante na agricultura já é conhecido. Aliás, são várias as centrais de compostagem a funcionar com esta finalidade. Aqui a novidade é outra. Em vez de serem colocadas junto à matéria orgânica, as minhocas são postas no meio do lixo doméstico indiferenciado, onde se misturam com plástico, cartão, vidro e restos de comida. O resultado é duplamente vantajoso: transformam restos orgânicos em composto e ainda limpam os materiais recicláveis, retirando--lhes a parte orgânica que vem agarrada. A grande vantagem é tornar embalagens, até agora não recicláveis por estarem sujas e contaminadas, em material que depois tem condições para ser aceite pela indústria recicladora. O exemplo aplica-se ao saco de plástico, mas também à embalagem de iogurte ou de carne que ainda traz restos orgânicos agarrados. Uma inovação que permite enviar para a reciclagem 80% dos resíduos recolhidos indiferenciadamente na casa dos portugueses. A inovação partiu da cabeça de João Completo, director da Lavoisier, empresa que opera na área dos resíduos. E testada, mais ou menos em segredo, no seu centro experimental em Palmela. "No início não contei a ninguém, resolvi apenas experimentar. E quando comecei a comentar com as pessoas ninguém acreditava que resultasse", conta ao DN, ao mesmo tempo que descreve o processo seguido pelos resíduos quando entram no processo. Agora é um sistema artesanal e doméstico capaz de tratar poucos sacos de lixo. Mas dentro de três meses serão dois sistemas industriais, um no vale do Ave, outro em Beja, que tratarão 16 mil toneladas de resíduos.O lixo vem todo misturado. Basta abrir o saco e despejá-lo numa pilha de madeira onde estão também bocados de palha. Regulado o PH, a temperatura e a humidade e criados alguns biofiltros que ajudam a eliminar odores, por exemplo, restos florestais, e o processo de higienização está completo. É aeróbio (ou seja, faz-se na presença de oxigénio) e, mesmo parecendo pouco verosímil, a verdade é que não cheira mal.Depois de três semanas nesta pilha, os resíduos são lançados às minhocas, que se alimentam dos restos orgânicos e produzem composto através dos seus excrementos. Sem luz e enterradas no meio do lixo e da matéria orgânica, milhões de minhocas trabalham horas a fio. "São trabalhadoras. E estão felizes, pois têm comida e todas as condições para não quererem sair dali", explica João Completo. Depois as embalagens estarão limpas e só têm de ser separadas do composto já criado. Aqui o processo é feito à mão, pois a escala é apenas experimental; numa fábrica terá de ser uma máquina a fazer a separação. O salto do domínio experimental para o industrial já foi dado. E o potencial do negócio que surge desta ideia simples parece não ser pouco.
Fonte: http://www.dn.sapo.pt/2008/01/18/dnbolsa/minhocas_trabalhadoras_limpam_lixo_d.html